domingo, 3 de maio de 2015

Localizações: Cidade de Towa Hana

Uma coisa essencial que eu por alguma razão esqueci de incluir na trama é o local da ação. Eis a descrição da cidade da trama, fornecido pelo novo co-autor da série Fabio Narutaki Mota:

Towa Hana (永久花) ou "flor eterna", é uma comunidade japonesa, fundada por refugiados da 2º guerra mundial.

Localizada no litoral do Rio de Janeiro, o ponto forte de seu desenvolvimento é o turismo, motivado por visitantes que vem ver as tradicionais casas de chá, apreciar os festivais da cerejeira, e comprar artigos relacionados à cultura pop nipônica, como mangás, episódios originais de animes, series tokusatsu em dvd ou VHS, já que é uma das primeiras cidades a receber o material importado original.

Possui pouco mais de 6 mil habitantes, tem uma pequena praia, e seu clima é diferenciado, (hora faz muito calor, hora faz muito frio).

Muitos professores recém-formados no Japão atravessam os mares e vem dar aulas aqui, tendo inclusive uma unidade autorizada da universidade de Tóquio, que foi inaugurada a 3 anos como parte de um acordo entre os governos dos dois países.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Aliados: Gine



Inventada por Kichiro, essa simpática robô companheira deseja saber mais sobre amizade e confiança, e auxilia Kira em seu treinamento de heroína. Não possui armas de defesa, mas tem um arsenal de investigação perfeito para mistérios. Seu único defeito é de ser um pouco, digamos, ingênua em certos casos.

Obs: Desculpe a sombra. Foi por causa da luz, na hora de tirar a foto.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Guerreira Robótica Gamma - Episódio 4 - Confie em Mim

Trancado na garagem de sua casa, Kichiro trabalhava incessantemente em um projeto novo. Parecia uma espécie de robô.

“Quase pronta… só falta uma coisa.” Ele pegou um chip com seu nome escrito nele e inseriu no peito de sua criação. “Hora do teste.” Apertando uns botões em um painel, ele observou o robô acordar.

“Olá, senhor. Como posso ajudá-lo?” O robô perguntou em uma doce voz de garota.

“Funciona! Você funciona!” Kichiro comemorou. “De primeira! Que sorte.”

“Perdão, mas… eu não entendi o que quis dizer com isso.” Ela encarou o rapaz com seus óticos azuis. “Você parece feliz.”

“E não sabe como...” Kichiro afirmou. “Não sabe como...” Ele deu uns tapinhas na cabeça da robô. “Mal posso esperar pra te mostrar pra Kira e pra Sora. Vocês serão grandes amigas. Confie em mim.”

O robô só virou a cabeça pro lado, tentando entender. “Confie… em mim...” Ela memorizou as palavras. “O que isso significa? E o que é “amiga”?”

“Bom...” Kichiro tentou explicar. “Um amigo é… bem, a-amizade é… bom, é complicado achar uma boa explicação para isso, sabe… mas vai gostar delas. Confie em mim.”

A robô virou a cabeça, não entendendo muito. Kichiro suspirou. Queria ele ter uma boa explicação pra tudo o que ela perguntava.

*****

No dia seguinte, no período da tarde, Kira retornava da escola, seguida de Sora.

“Nossa. Desde a invasão na escola, os professores tão infernizando a gente com lição acumulada. Até parece que a gente tem que fazer tanta coisa assim.”

“É, e o pior é que isso vai atrapalhar seu período de treinamento. Herois e heroínas tem que manter a forma.” As duas chegaram à casa de Kira.

“Olá, filha. Oi, Sora.” A sra. Koizumi as recebeu na porta.

“Oi, sra. Koizumi. Vem cá, tem algum tecido sobrando por aí? De preferência, na cor verde?” Sora perguntou.

“Talvez eu tenha umas blusas que não use mais, mas vou verificar.” A mulher afirmou, saindo pra procurar as blusas.

“Eu adivinho… vem mais um boneco pra aquela coleção de Kamen Riders que você entulhou na sua estante.” Kira pensou. “Qual dessa vez?”

“Vou fazer o Rider Shin. Ele é meio complicado de fazer, mas pra quem já fez o Fourze nos mínimos detalhes possíveis de… ver...” Sora estava dizendo, até que ela viu algo se aproximando. Kira se virou e não acreditou.

Lá, em frente a elas, estava um robô magenta, com um design extremamente familiar pra elas.

“Vejo que já conheceram a Gine.” Kichiro se aproximou. “Gine, essas são Kira, minha irmãzinha e a Sora, amiga dela.”

“O-oi...” Sora acenou.

“Olá. Muito prazer em conhecer vocês, viu?” Gine falou. “Não precisam ter medo, que eu não mordo.”

“Legal ela, não? Programei-a pra ser um robô companheiro, ou seja, uma auxiliar e amiga nas futuras missões. Mas ela também é boa em investigações. Só não tem uma arma de defesa ainda.”

“Legal!” Kira comentou. “E ela é muito bonita.”

“Ah, você é muito fofa!” Gine comentou. “E ela, não vai dizer nada?”

“Ela tá em choque de ultra-fã, de novo.” Kira riu. “Peraí.” Kira pôs pra tocar no seu celular o tema do Kamen Rider Amazon. Só o som das cornetas fez Sora despertar do transe.

“Que robô incrível!” Ela afirmou, uma vez desperta. “Nunca vi algo tão perfeitamente construído nos moldes do Winspector, ainda que com uma certa forma similar ao Solbrain!” Então, ela parou e olhou pra Kichiro. “Ela sabe sobre as séries, não sabe?”

“Exceto a parte do Exceedraft, que ainda falta trabalhar.”

“Então, tá. Prazer, Gine.” Sora cumprimentou a robô.

“Aqui está, Sora. Todas as blusas que eu não uso mais. Aproveitando a deixa, alguns botões.” A mãe de Kira se aproximou. “Ah, vocês viram a robô linda que o Kichiro fez, não é?”

Kira acenou que sim. Com certeza, aquela robô companheira veio em boa hora.

“Uma robô companheira. Alguém pra nos ajudar a treinar, no dever de casa e até pra se divertir. Seremos grandes amigas, não é, Gine?” Sora perguntou, animada.

“Claro. Grandes amigas...” Gine respondeu, mas com um pequeno tom de incerteza.

******

Na nave-mãe dos Raptors, Tiberius trabalhava em sua armadura, a fortalecendo e consertando seu capacete.

“Aquela maldita… vai pagar pelo que fez!” O comandante da frota reclamou.

“Tiberius, acalme-se! Lembre-se da nossa maior prioridade: colocar esse planeta patético numa noite eterna e sob nosso domínio.” A rainha lembrou. “O diabo é que as melhores armas que poderíamos ter tido escaparam, juntamente com aquele cientistazinho de meia-pataca.”

“Onde quer que estejam, não aparecem em nossos radares. Mas pelo pouco tempo de ativação, deu pra perceber que o projeto mais incompleto tem um temperamento forte e capacidade de se comunicar normal.” O comandante comentou, terminando o remendo no capacete. “Isso deve durar até conseguirmos mais material descartado. Os tolos que habitam essa terra descartam muita coisa útil a nós.”

“Além de arrumar um jeito de encurralar aquela androide, temos que encontrar os dois outros. Se são feitos de nossa tecnologia, não deve ser difícil reprogramá-los.” A rainha decidiu. “Até encontrarmos os fugitivos, fiquemos de olho em você-sabe-quem. Entendido?”

“Que seja, Majestade.” Tiberius se curvou diante de sua rainha, em ambos os sentidos da palavra.

*****

Na casa de Sora, Kira mostrava pra Gine o quarto de sua amiga, cheio de pôsteres, enfeites e claro, bonecos de Kamen Riders feitos à mão, enquanto Sora se concentrava em costurar seu novo boneco, usando como molde um pôster.

“Vejamos… a cabeça é mais trabalhosa que o corpo, porque tem muitos detalhes, incluindo as antenas, a boca e o ponto vermelho na testa, da mesma cor que os olhos...” A garota analizava.

“Amiga, é surpreendente como você repara nesses pequenos detalhes.” Kira comentou.

“Amiga… outra vez essa palavra...” Gine refletiu. “Mas o que é “amiga”?”

“Você não sabe?” Sora perguntou, se virando pras duas. “É, a amizade é realmente uma coisa complicada de explicar. Eu me lembro que minha amizade com a Kira começou na 2ª série. Éramos nós duas no dia do mostre e conte…

Eu fui fantasiada de Patrine. Mas estava nervosa sobre como as pessoas iriam reagir. Ninguém da classe provavelmente sabia quem era Patrine, ou seu criador, Shotaro Ishinomori. Bom, exceto uma pessoa...

“Patrine?” Uma menininha de rabo de cavalo perguntou a uma mocinha de fantasia.

“S-sim...” A menina acenou nervosamente.

“Eu adoro a Patrine.” As duas sorriram. “Vai falar sobre ela?”

“...vou.”

“Eles vão gostar. Confie em mim.” Logo, chegou a vez da menina de fantasia se apresentar.

“Eles amaram minha apresentação. Ganhei uma estrelinha dourada pela performance excelente. Desde então, nos tornamos amigas.”

“Interessante.” Gine observou.

Gine percebeu a repetição da mesmas três palavras. “Você disse “Confie em mim”. O que significa isso?” Ela perguntou à Kira.

“Confie em mim? Bom… confiar é basicamente acreditar na palavra de uma outra pessoa. Uma boa relação de amizade começa com a confiança.”

Então, Sora pensou por um instante.

*******

As três correram até o prédio da escola do jardim de infância.

“Olha, gente! É a Gamma!” Uma das crianças apontou. Imediatamente, todas correram ao encontro do trio.

“A Kira é bem famosa na região.” Gine comentou.

“São as vantagens de ser uma heroína.” Sora comentou. “Dá um pouco de inveja, admito, mas ser treinadora também é um trabalho importante. Sou para ela como o Tobei é para os primeiros Kamen Riders.”

“Que robô legal!” Um menino comentou. “Ela faz algum truque?”

“Se ensinarem, talvez ela faça.” Kira piscou pra ele.

“Vamos, vamos! Vai ser legal! Confie em mim!” Sora puxou Gine pelo braço. Sabendo agora o que “Confie em mim” significava, Gine a seguiu, um pouco mais animada.

Kira sorriu pela criançada estar gostando tanto da robô companheira. Mal sabia ela que, espiando como sempre, lá estava outro Raptor infiltrado.

*****

Na casa de Kira, Sora enfim deu os últimos pontos em seu novo boneco, enquanto Kira falava sobre o quanto as crianças se divertiram com a robô.

“Foi muito bom ver a Gine se divertindo tanto, mas quem se divertiu mais com ela foi a Sora.”

“Pronto. Está perfeito.” Sora admirou seu novo boneco.

“O que vai fazer quando tiver todos os da era Showa? Começar com os Heisei?” Kichiro quis saber.

“Não sei, realmente.” Sora pensou por um momento. “Acho que vou fazer bonecos de metal heroes.” Então, ela olhou ao redor. “Mas… cadê a Gine?”

“Pedi pra ela pegar algumas compras da mamãe. Ela outra vez esqueceu de trazer as frutas.” Kichiro afirmou.

“Sozinha? Tem certeza que é uma boa?” Sora perguntou. “A rua é perigosa de noite, e ela não tem como se defender, lembra?”

“Bom, ela tem um GPS… então acho que ela vai achar o caminho mais fácil pra voltar...” Kichiro teorizou, tentando tranquilizar Sora. “Mas talvez ele não esteja totalmente funcional...” Ele pensou em voz alta. Imediatamente, os irmãos ouviram a porta batendo com força. Kira suspirou, decidindo ir atrás de Sora.

******

Gine andava pelas ruas à noite, olhando ao redor, carregando as compras.

“Hmm… a cidade fica muito diferente à noite.” A robô comentou. “Imagino se um dia Gamma investigou qualquer problema nesse tempo...” Então, ela ouviu um barulho de um beco. “Quem está aí?”

Intrigada, Gine largou as compras para procurar a fonte do barulho. De repente, ela se viu cercada de Raptors.

“Ei! Me soltem!” Ela tentou se defender, vendo que eles não estavam pra conversa. Sora, passando justamente por lá, se espantou com a cena.

“Mas hein?!” Decidindo partir pra ajudar sua amiga robô, Sora tirou seu capacete. “Deixem ela em paz, seus lagartos feiosos!” Atacando-os com o capacete, logo a menina foi desarmada e empurrada contra a parede. “Gine! Nós vamos te salvar! Confie em mim!” Tudo o que Sora pôde ver foi sua amiga robô ser carregada pelos monstros. Nem tinha certeza se ela tinha ouvido.

“Sora!” Kira chegou. “Você está bem?”

“Não. Eu tentei, juro que tentei… mas deixei os Raptors levarem a nossa amiga robô.” Sora lamentou, espantando Kira.

“E pra onde eles foram?”

“Foram pelo outro lado da rua. E eles estão bem mais ágeis que da primeira vez que os enfrentamos.”

“Mais ágeis?”

“Atacaram bem mais rápida e ferozmente que da vez que raptaram as crianças. Não sei como fizeram nem porquê levaram a Gine.”

“Calma, tudo vai ficar bem. Confie em mim.” Kira a tranquilizou. “Unidade Gamma!” Uma vez transformada, Gamma se pôs a correr pra procurar qualquer vestígio Raptor. Sora foi atrás dela em sua Rider Bike.

******

Gine tentava se libertar das garras dos Raptors. Queria ela ter alguma arma pra se defender, ou algum modo de chamar ajuda, porém seu GPS e comunicador não estavam funcionando.

“Estão amassando minhas peças! Querem parar com isso, por favor?”

“Bem, bem, bem… se esse robô está andando com a Gamma, talvez possa ser útil se o reprogramarmos...” Tiberius se aproximou.

“Quem é você?! O que vai fazer comigo?!” Gine perguntou, nervosa. O comandante sinalizou ao cientista Raptor da base, e ele se aproximou de Gine, apontando suas ferramentas para seu peito. “Ei, cuidado aí! No meu peito está armazenado tudo o que eu sou e tenho de conhecimento!”

“Ótimo saber isso. A reprogramação em seu sistema será mais fácil nesse caso.” Tiberius comentou.

Gine sentiu que não devia ter falado nada. Espera aí… falar?

“Espera! Você está vendo bem mesmo?” Gine tentou enrolar o cientista. “Digo, é tão pouca luz… como você enxerga? Porque não coloca mais algumas luzes nesse local pra ver melhor?”

“Não lhe interessa, espertinha!”

Gine percebeu que ele mostrava nervosismo em relação à luz, então teve uma ideia: mesmo sem qualquer item de defesa, ela tinha algo de útil.

“Se não tem como vocês colocarem luz na situação, eu coloco.” Imediatamente, uma lanterna saiu de seu ombro e diversas lentes do outro ombro. A luz da lanterna, passando pelas lentes, atrapalhou a visão do cientista.

“Pare! Agora mesmo!” Tiberius ordenou. Gine virou sua lupa para os outros Raptors.
“Luz forte! Luz forte!” Eles reclamavam, soltando a robô. Gine aproveitou pra fugir.

“Atrás dela, idiotas!” Tiberius reclamou, correndo atrás do robô, seguido pela frota.

Gine tinha que chamar ajuda, mesmo com o GPS falhando. Então, ela olhou para uma escada que estava por perto. Subindo por ela, a robô começou a piscar a luz de sua lanterna, sinalizando sua localização.

“Veja! Uma luz piscando!” Sora notou de uma certa distância. Gamma cerrou os olhos para enxergar melhor.

“É a Gine!” As duas seguiram a luz piscante até o outro lado do ambiente.

“Parados!” Gamma se preparou pra lutar contra os Raptors. “Pouco me importa se estão mais resistentes, a nossa amiga vocês não vão machucar!” Partindo pra cima das criaturas, Gamma os atacou até atingir as joias em seus capacetes. Gine aproveitou enquanto descia da escada para refletir sua luz nas rachaduras deixadas, fazendo os Raptors agonizarem e baterem em  retirada.

“Eu sabia que viriam, minhas amigas.” Gine afirmou.

“Eles fugiram feito baratas quando se depararam com a luz da Gine.” Sora pensou. “Será que...”

“Você...” Tiberius rugiu, olhando para Gamma e interrompendo a conversa das três. “Aquela que teve a ousadia de me humilhar!”

“Não importa o tempo ou a hora, eu protegerei os inocentes de monstros como você. Nossos caminhos vão se cruzar quantas vezes for preciso, Tiberius.” Gamma proclamou.

“Bela frase.” Sora comentou.

“Por mais agonizante que a luz forte seja para nossa raça, temo que não poderá usá-la contra mim!” Tiberius tirou uma de suas escamas e arremessou na direção de Gine.

Um veloz borrão azul de teve a escama e parou em frente a Gamma. Olhando para a mesma direção, todos viram um jovem de cabelo azul, com uma listra branca, similar a um raio. Sua roupa era azul, com um símbolo beta, e seus olhos tinham um raio também.

“Você… é o projeto Beta!”

“Projeto Beta?” Gamma lembrou-se desse nome da descrição no vídeo do Dr. Antunes.

“Mexa com alguém do seu tamanho.” Ele comentou, em uma voz baixa e séria, atirando com uma excelente pontaria a escama que Tiberius atirou contra a lanterna na direção do monstro, atingindo o remendo no capacete, reabrindo a rachadura.

“Malditos!” Removendo a parte da frente do capacete, mostrando seus dentes, Tiberius se preparou para enfrentar tanto ele quanto Gamma.

Os três começaram a se enfrentar, entre socos e arranhadas. A guerreira logo se viu em desvantagem, notando a melhora nas habilidades do comandante. Ela logo foi arremessada contra a parede, com seu braço ferido. Beta se ajoelhou, suando.

“Você tá bem?” Gamma perguntou, preocupada. Beta não respondeu imediatamente, deixando a lanterna de Gine perto de Gamma. Depois ele correu em alta velocidade, deixando um rastro azul que rapidamente sumiu.

Se levantando, com seu braço recuperado, Gamma desferiu-lhe um Magma Punch, derrubando Tiberius. Aproveitando a oportunidade, ela pegou a lanterna e ligou a luz. O Comandante agonizou com a luz encarando a rachadura.

“Onde está o papai? Como sabe sobre Beta?”

“Isso você mesma terá que descobrir!” Tiberius atacou o rosto de Gamma, a derrubando. “Nos veremos de novo, Gamma!” Ele jurou, fugindo. Esbaforida, Gamma retornou ao normal.

“Kira!” Sora ajudou-lhe a levantar.

“E-eu estou bem. Eu vou ficar bem...” Kira comentou. Gine recolheu sua lanterna, enquanto as três se retiravam do local.

*****

No dia seguinte, na casa dos Koizumi…

“Pareciam agonizar com a presença da luz nas rachaduras.” Gine explicava como escapara, enquanto Kichiro a consertava. “Como se algo os ferisse...”

“Aversão à luz forte...” Sora teorizava. “Por isso fugiram. Aqueles trajes devem protegê-los, desintensificando toda e qualquer intensidade de luz. Mas se pôde ofuscá-los, o visor deve ser a parte menos resistente. Como de noite há menos luz, naturalmente eles são mais rápidos e fortes.” Logo elas viram que Kira estava pensativa.

“Kira?” Kichiro chamou-lhe a atenção.

“Tiberius sabia sobre os projetos e sobre o dr. Antunes. De alguma forma, o Projeto Beta foi reativado ou por eles… ou pelo doutor. Mas como é possível, se o projeto tinha falhado? E porque ele fugiu daquele jeito?”

“Fala daquele deus que nos ajudou?” Sora suspirou. Estava encantada com aquele rapaz.

“Deus?” Gine escondeu uma risadinha.

“Ah, ele é bem gatinho, vai!” Sora corou um pouco. Kira deixou um sorriso escapar. “Olha, por agora, deixa estar, amiga. A Gine está bem, os Raptors foram impedidos seja-lá-pra-quê, e temos um novo aliado!”

“Aliado? Tem certeza?” Gine perguntou.

“Ele salvou a gente! Quer prova maior que isso?” Sora comentou. “E tenho certeza que não vai ser a última vez que o vimos. Nunca é a última vez que vemos um novo heroi em qualquer trama.” A robô e os irmãos encaram-na. “Ah, confiem em mim.”

Os quatro se riram, deixando a tensão de lado. Sora levantou sua mão pra um “toca aqui” com Gine.

Muitas dúvidas passam pela mente jovem de Kira. O que os Raptors iam querer com a Terra, se não suportam a luz? Porque Beta fugiu? Dúvidas essas que ela espera resolver em breve, com a ajuda de seus amigos. Siga lutando, Guerreira Robótica Gamma!

つづく (Continua)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Guerreira Robótica Gamma - Episódio 3 - A Menina que Não Queria Crescer

De noite, as luzes de um teatro iluminavam uma rua. As pessoas saiam do prédio depois de assistir uma excelente peça.

Os atores saíram pela porta dos fundos do prédio. Estavam muito satisfeitos com o bom desempenho que tiveram na apresentação.

“Poxa, fazia anos que não tinhamos uma plateia tão grande!” Um deles comentou.

“Se continuar assim, vão vir mais e mais reprises! Aí, quem sabe, não começamos a exibir pra públicos maiores?” O diretor, animado, comentou.

De repente, eles ouviram o som de um choro baixinho. Era… uma garota. Se era novinha ou adulta, não dava pra saber, pois estava nas sombras.

“Ei… o que foi, mocinha?” O diretor perguntou. “Está perdida?”

Mas tão logo se aproximaram, o diretor e o ator foram agarrados por trás, deixando cair seus chapéus.

“Lindos chapéus… irmãozão e papai...” Dois olhos azuis fitaram os dois.

****

Na escola de Towa Hana, Kira, Sora e Kichiro se reuniram no laboratório.

“Tá nas manchetes do jornal.” Kichiro apontou. “Ator e diretor sequestrados. Aconteceu ontem depois de uma apresentação. Esses dois já tinham trabalhado antes numa web-série chamada Bonequinha do Papai.”

“Putz, lembro disso aí.” Sora reclamou. “Boa no início, mas aí ficou uma bomba.”

“Não conhecia.” Kira afirmou. “Sobre o que era?”

“Basicamente era uma série sobre uma familia, com uma filhinha que era uma encrenqueira, tipo aquele pestinha do episódio 22 de Winspector, mas sem armas envolvidas.”

“Hm…” Kira pensou por um tempo. “Eles já fizeram algo mais além da web-série?”

“Nada. Depois de algum tempo, com a falta de views e alto desinteresse do público, o canal na internet foi fechado e cada um seguiu pra um lado.” Kichiro contou. ”O diretor Kaya Mitsuaki, após uma temporada no Japão, entrou no ramo teatral, assim como o ator principal, o tal Nikolai Mozart. Quando à pequena Leila… digamos que ela sumiu.”

Kira pensava a respeito do caso. Talvez, se achassem algo dessa série, poderiam ter alguma pista.

*****

Nikolai acordou num set. Era tudo antigo, mas muito familiar também.

“O-onde estou?” Ele olhou ao redor. “O que está havendo?”

“Nikolai?” O diretor Mitsuaki, amarrado a uma cadeira, o viu.

“Kaya, o que está acontecendo aqui?”

“Não sei… a última coisa que me lembro é do beco e da mocinha…” O diretor admitiu. “Espera… onde ela pode estar?”

“Olááá...” A “mocinha” se aproximou. Era uma jovem de aproximadamente 13 anos, com roupas de criança. “Oi, irmãozão. Oi, papai. Senti saudade. E a Babel também sentiu.” Ela apontou pra uma boneca sem cabelo e sem um botão.

“L-Leila?” Os dois a reconheceram. “É você?”

“Não, bobos. Eu sou a Lilica, lembram-se?” A jovem afirmou. “A pequena e adorável Bonequinha do Papai. E minha família finalmente voltou pra casa!” Dois jovens com armas de dardos se aproximaram. “E nunca mais vai saiiiir...”

***

Na sala de informática, Kichiro, Sora e Kira tentavam achar respostas.

“Nenhum episódio achado… só trechos.” Sora suspirou. “Alguma coisa, Kichiro?”

“Até que sim. Parece que depois da série, ela não teve mais o sucesso de quando era criança.” Kichiro observava manchetes.”Tentou papeis de atriz mirim em novela, filmes, peças… mas nada deu pé.”

“Porquê?” Kira perguntou.

“As críticas afirmam que a atuação dela era forçada.” Sora leu uma página na web. “E que ela o fazia de propósito. Estranho...”

“Aqui diz que uma atriz que também foi parte do elenco da web-série, a Miriam Estrela, vai estar numa apresentação no teatro da cidade hoje à noite.” Kichiro apontou.

“Talvez devêssemos ficar de olho nela, só no caso.” Kira sugeriu. Com Sora e Kichiro concordando, os três juntaram suas mãos.

*****

De noite, os três viram as luzes do teatro acendendo e alguns repórteres na porta.

“Tudo bem que eu disse pra ficarmos de olho nela… mas tinha que me enfiar nessa fantasia ridícula?” Kira reclamou, usando capotão e chapéu.

“Eu não queria levantar suspeita, minha filha. Você não tem identidade secreta, lembra?” Sora explicou. “Se alguma câmera te ver, vão vir milhares de flashes.”

“E eu estou invisível como as muralhas da China.”

“Ah, ninguém vai notar que é você.” Sora tentou acalmá-la. “Agora, presta atenção que a Srta. Estrela vai chegar a qualquer minuto.”

Um carro na rua se aproximava, até que um vulto com uma bola passou na frente, e obrigou o motorista a frear.

“Minha nossa!” Sora se espantou.

“Ah, não!” Kira exclamou.

Miriam Estrela saiu do carro, preocupada, querendo ver se a pessoa que achava ter atropelado estava bem.

“Mamãe!” Era Leila. Isso chocou a mulher. “Há quanto tempo! Tá na hora de ir pra casa jantar!” Leila avisou, assobiando para seus capangas.

“Paradinha aí, senhora.” O menino ameaçou. “Ou então te pomos pra dormir!”

“Hã, Kira… se for pra agir, aja agora!” Sora deu um toque pra sua amiga, mas… ela já tinha partido pro ataque, tirando o disfarce.

“Unidade Gamma!” Com a frase proferida, Kira se tornou Gamma e partiu pra cima dos capangas.

“Olha, é a Gamma!” Um dos fotógrafos apontou. Todos imediatamente se viraram pra fotografar a heroína em ação.

“Ei, ei! Virem esses flashes pra lá!” Sora reclamou, sentindo a luz rebater em seus óculos.

Gamma lutava com simples golpes elétricos e chutes contra os dois capangas. Eventualmente, os dois moleques caíram no chão com os golpes de Gamma e depois fugiram com medo. Miriam se levantou, ainda um pouco chocada.

“Você é… a tal Gamma, não é? Aquela menina super poderosa que salvou um grupo de crianças?”

“Exato. E você está segura com a gente, srta. Estrela.” Gamma se virou pra tranquilizar a moça, e eventualmente os repórteres a abordaram.

“Tá bom, cambada. Exclusiva depois. Temos um trabalho pra fazer.” Sora reclamou, ajudando tanto Gamma quanto Miriam a entrarem no teatro, uma vez vendo que Lilica tinha escapado.

****

“Esses são dardos tranquilizantes, do tipo que são usados pra acalmar animais bravos.” Gamma analisou.

“Muito obrigado de verdade pela ajuda, senhorita Gamma.” Miriam agradeceu. “Eu… realmente não esperava por aquilo.”

“Mas ainda não entendo… porque a Leila quis ser chamada pelo nome que tinha na série?” Sora perguntou. “Ela já não tinha deixado isso de lado e não tá muito velha pra usar aquela roupa minúscula?”

“Também queria saber.” Kira admitiu, voltando ao normal. “Kichiro, tem alguma ideia?” Ela pegou o laptop, ligando a webcam.

“Bom, analisando os poucos vídeos que encontrei na internet, ela parecia muito feliz na série.” Kichiro os enviou.

“Nossa… achei que todos os vídeos do canal tinham sumido.” Miriam admitiu.

“Vai por mim, querida, meu irmão consegue achar até uma agulha no palheiro.” Kira afirmou. Assistindo os trechos, as três concordaram: Leila realmente era feliz sendo Lilica na série.

“Lilica, você que fez esses rabiscos na minha planta?” O pai perguntou pra menina no vídeo, apontando pra um monte de rabiscos em uma folha de papel com um planejamento.

“Eu só tava brincando.” Ela disse. Vários risos foram ouvidos de fundo, enquanto a menina sorria pra câmera.

“Bem, meninas, tenho que correr. Minha peça vai começar logo.” Miriam afirmou, falando com uma certa pressa.

“Vamos com você.” Kira afirmou. “Tenho a impressão de que a Bonequinha do Papai vai bolar algo mais.”

*****

De volta ao seu “lar”, Lilica reclamava com os jovens, batendo neles com sua boneca.

“Não acredito que não trouxeram a mamãe pro jantar! Será que não fazem nada direito?! Eu quero a minha mããããe!”

“Ela nos derrubou, Liliquinha. É sério, aquilo não é um ser humano!” Um deles reclamou.

“Ela… é um relâmpago vivo!” O outro tremeu de medo. “Eu que não encaro aquela menina de novo!”

“Puxa vida, não se pode ter bons empregados hoje em dia.” Lilica suspirou. “Hora do plano B… B de Babel...”

*****

Na plateia, Kira vigiava tudo ao redor, enquanto Sora ficava no camarim de Miriam, ambas de olho em qualquer atividade suspeita.

“Estou me sentindo uma agente do Winspector em missão secreta.” Sora comentou, animada. “Mas se eu pelo menos tivesse trazido meu bonequinho do Fourze pra passar o tempo, isso seria mais divertido.”

“Estou muito nervosa, menina.” Miriam admitiu. “Eu… sei que é culpa minha, do Nikolai e do Kaya a Leila querer continuar com o nome e identidade de sua personagem.”

“Fala o que você sabe. Pode ser que ajude.” Sora pediu.

“Bom… a verdade é que… ela é minha filha adotiva. Mas nem eu, nem eles a criamos de forma correta...

Éramos ainda jovens atores e o Kaya era um diretor recém-formado. 

Quando adotei a Leila, ela ficou todos os momentos em frente às câmeras, acreditando que tudo a seu redor era real. Praticamente nós todos morávamos no set, que foi montado no último andar de um prédio.

Conforme a série seguia, desde a primeira gravação, nós três concordamos em cuidar dela, mas eu acabei fazendo tudo. A alimentei, brinquei com ela, e dei aquela bonequinha que ela carregava. Na verdade, ela era a Bonequinha da Mamãe.

Um dia, ela nos disse que não iria crescer nunca. Que seria criança pra sempre pra ficar com a família dela. Claro, como ela ainda era criança, achamos que era coisa da infância.

Quando a série acabou, ninguém avisou ela. Acreditavam que naquele meio-tempo, ela já tinha percebido que era tudo faz-de-conta. Mas… estavam errados.

Quando eu a levei pra minha casa e passamos a conviver juntas, ela se perguntava se papai e o irmãozão dela não iam vir morar com a gente na “nova casa”.

Contei tudo pra ela… mas ela se recusou a crer que tudo era mentira. Insistia em acreditar que seu nome era Lilica e que ela era a Bonequinha do Papai. Então, ela fugiu. Procurei por ela, mas nunca mais a encontrei.

Então, vieram notícias de seu fracasso em sua carreira de atriz mirim, gerado por sua falta de maturidade e seu desejo de continuar criança. ” Miriam sentia vontade de chorar. “Eu devia ter sido mais responsável… nós três devíamos ter sido...”

“Calma, calma… eu juro que a Gamma vai resolver isso. Confia em nós.” Sora a tranquilizou. De repente, o sinal de início da peça soou. “Opa. Bem, hora de brilhar, moça. Vamos estar de olho em tudo.”

Miriam saiu pela porta do camarim, deixando Sora pensativa.

*****

Na plateia, Kira batia os dedos no braço do banco enquanto a sala enchia de gente.

“Até agora nada...” Ela pensou em voz alta. Então, as luzes apagaram. Era hora da peça começar.

Miriam Estrela apareceu no palco, iniciando um monólogo. Mas, inesperadamente, no comecinho ainda, as luzes do palco se apagaram.

“Mamããe...” Ouviu-se a voz de Lilica. “Cadê você?”

Miriam tremeu de medo, enquanto a plateia se perguntava o que estava acontecendo.

“Vamos pra casa jantar. A Babel e eu vamos ficar muuuuito bravos se você não vier.”

Kira usou sua audição pra tentar descobrir de onde vinha a voz, e então escutou o som de um dardo sendo atirado. Depois, o som de alguém caindo no palco.

Quando as luzes se acenderam, Miriam tinha sumido. As pessoas reclamavam sobre o que poderia ter acontecido.

“Droga!” Kira se levantou, correndo até os bastidores. Sora, nessa hora, saiu do camarim e viu Leila carregando sua “mãe” numa rede.

“Não devia ter deixado a Babel bravinha. Vamos pra casa A-GO-RA!”

“A Bonequinha do Papai está fugindo.” Sora alertou Kira. “E você vai ficar de cara com o que a srta. Miriam me disse.”

“Me conta no caminho.” Ela a tranquilizou. “Vamos!”

******

Perdendo a trilha da menina, Gamma decidiu usar sua audição enquanto ela e Sora andavam pela rua à noite. Então, Gamma captou a voz de Lilica, vindo de um beco. Mais especificamente, vindo de trás de uma cerca. Após pularem por cima dela, as duas garotas viram o que parecia um grande parque de diversões abandonado.

“Porque não estou surpresa?” Sora observou. “Sempre há parque de diversão em tokus. Ou quase sempre.” Ela foi seguindo Gamma enquanto essa tentava achar Lilica pela audição. Por fim, as duas encontraram o esconderijo: estava na antiga casa do terror.

*****

“Enfim, todo mundo chegou pra jantar! E vocês voltarão a me amar como era antes!” Lilica afirmava, animadamente, enquanto os reféns tremiam de medo. “Tudo vai ser como antes!”

“Isso é ridículo, Leila! Você não é mais criança. E não somos uma família de verdade!” O diretor Mitsuaki reclamou.

Miriam permanecia calada, remoendo-se de culpa.

“Não é verdade, não é, Babel? Mamãe estava brincando com a gente. Uma brincadeira muito, muito feia!” Lilica reclamou, apontando sua boneca com um dardo saindo do olho do brinquedo. “É melhor não deixarem a Babel bravinha. Não estou brincando.”

“Nossa, esse brinquedo não devia ser permitido.” Sora afirmou, chamando a atenção de Lilica.

“Acabou a brincadeira, Leila!” Gamma alertou. “Hora de você acordar desse mundo de faz-de-conta!”

“É LILICA! E quem convidou essas estraga-prazeres?” Lilica reclamou. Ela assobiou, mas seus capangas não vieram.

“Desculpem, acho que os moleques que você convenceu a ajudar ficaram “chocados” com ela.” Sora afirmou, apontando pra Gamma.

“Sério?!” Gamma reclamou.

“Não pude evitar.”

“Agora chega! Saiam da nossa casa!” Lilica tentou atirar dardos nas duas, mas Gamma se defendeu com ataques rápidos.

“Eu desamarro eles. Vai pegá-la, campeã!” Sora avisou, enquanto Gamma corria atrás da jovem.

*****

Gamma seguiu Lilica pelo parque, passando pelas barracas de prêmio e pelas atrações. Por fim, as duas entraram na casa dos espelhos.

Lilica parou pra respirar e viu os espelhos distorcendo sua imagem. Então, ela viu um que a mostrava quando criança.

“Olha eu ali! Sou eu! Sou tão fofinha e pequenininha!” Lilica tocou o espelho, e então… viu sua mão de verdade. Era bem maior que a do seu reflexo.

“Foi o que disseram antes: você não é mais criança.” Gamma se aproximou. “Lamento, mas é a realidade. Ninguém pode simplesmente parar de crescer. E você não pode largar sua vida de verdade pra continuar no faz-de-conta.”

Lilica olhou pro reflexo de novo.

“Eu… não quero...” Ela murmurou. “Eu não quero crescer e não vou crescer!” Ela berrou, chateada. “Quero ficar com a mamãe, o papai e meu irmãozão pra sempre!”

“Ou seja… quer raptar sua “família” e agir como se tudo aquilo fosse verdade, porque não quer aceitar o que a Miriam, que foi como uma mãe de verdade pra você, te disse antes.” Gamma alertou, duramente. Então, ela se aproximou do espelho e apontou pra outro: um que mostrava a Lilica de verdade.

“Me desculpe… mas você tem que entender. Em algum momento, todo mundo cresce. Nenhum de nós pode fugir disso. Nem você, Leila.”

Lilica viu seu reflexo no espelho não-distorcido… e não gostou de se ver daquele jeito. Chocada e entendendo o erro que cometeu, ela caiu de joelhos, chorando. Gamma suspirou, pondo a mão no ombro da garota desolada.

Bem nessa hora, os três reféns se aproximaram, acompanhando Sora, enquanto essa puxava os moleques que lutaram antes com Gamma pelo braço.

“Esperem até suas mães souberem o que vocês andaram fazendo.” A menina falou, enquanto ele engoliam em seco.

“A culpa foi nossa que você acabou assim, Leila. E nenhum de nós quis reconhecer isso.” Kaya admitiu. “Fomos muito irresponsáveis, e sentimos muito por tudo.”

“Bom, ela é jovem. Ainda tem chance de se redimir. Pra isso, ela precisa de pais de verdade.” Gamma avisou. “Não de uma família de faz-de-conta.”

“Ou seja… ela precisa de quem se importou com ela de verdade desde o início.” Sora apontou pra Miriam, que concordou. A atriz se ajoelhou perto da jovem.

“Lilica… por favor, vamos deixar isso pra trás.” Miriam pediu. “Vamos ser mãe e filha de verdade… e eu te mostro que o mundo real é tão bom quando essa fantasia toda que você viveu. Tá bem.”

“Tá bom, mamãe. Mas meu nome é Leila, tá?” Leila olhou pra Miriam, e sorriu, a abraçando. Todos sorriram, sentindo que tudo ia ficar bem.

A menina que não queria crescer foi finalmente trazida de volta à realidade, e contará com a ajuda de alguém que se importa de verdade com ela para crescer do jeito certo. Gamma observa a união de uma verdadeira família, orgulhosa por tudo ter acabado bem.

つづく (Continua)

*****

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Antagonistas: Comandante Tiberius



O comandante da frota Raptor, é o mais forte entre todos os membros, porém menos ágil. É compromissado com a rainha Reptilia, e muito fiel à sua amada. Nutre um ódio mortal por Gamma, após ser humilhantemente derrotado por ela.

Antagonistas: Rainha Reptilia


Lider e soberana dos Raptors, é a causadora da invasão que primeiramente matou Amber. Ao descobrir que a invenção de Antunes é capaz de suportar seus Raptors, tenta usar dos projetos de Antunes para enfrentá-la, mas esses fogem. Pode ficar na forma humana, embora considere essa forma “desconfortável”.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Guerreira Robótica Gamma - Episódio 2 - Unidade Gamma: Parte 2

Na casa dos Koizumi, Kichiro, Kira e Sora foram para o quarto do rapaz. Lá, ele abriu um pequeno kit de primeiros socorros que ele tinha. O rapaz estudava medicina, e era fanático por ciência e história.

 Com uma seringa, ele recolheu uma pequena amostra do sangue de sua irmã. Ao observá-la no telescópio, ele se surpreendeu.

 “Estou vendo um nanobô.” Ele aumentou o zoom: o nanobô parecia uma pequena sonda de forma oval. “Ele tem um símbolo gama do alfabeto grego. Vai ver que é por isso que o Dr. Antunes deu esse nome ao projeto.”

 “Deixa eu ver?” Sora perguntou, e ao observar se surpreendeu. “Olha. A coisa tá viva. Parece que está emitindo alguma coisa.”

 “Chuto que sejam pequenos choques elétricos. Como o Antunes descreveu, é um sistema de defesa.”

 “Bom, eu não gostaria de ativar esse sistema de defesa sem mais nem menos. Aquela hora foi por puro acidente.” Kira apontou.

 “Hm… interessante.” Kichiro começou a analisar a sonda. “Parece que está programado para funcionar em cadeia com os outros nanobôs.”

 “Em cadeia?”

 “Sim. Se um faz algo, os outros reagem da mesma forma, como num grande jogo de seu mestre mandou.”

 “Interessante… mas pode ajudar?”

 “Talvez… se eu conseguir programar esse nanobô com um tipo de senha, isso pode não só evitar a ativação desnecessária do modo de defesa, como também destrancar a tal mudança de aparência que o Dr. Antunes mencionou no vídeo.”

 “Ah, legal!” Sora entendeu. “Então se funcionar, os nanobôs só vão ativar com a senha, como aquelas frases de henshin dos Kamen Riders, que fazem eles mudarem de aparência.”

 “Ou como as dos próprios metal heroes, ou henshin heroes.” Kira apontou.

 “Estão pegando o jeito.” Kichiro elogiou. “E acho que não vou demorar a fazer essa modificação.” Ele avisou, preparando seus elementos de trabalho.

 “Quem diria, Kira? Você vai ser uma super-heroína!” Sora começou a se animar.

 Kira sorriu pra ela, mas na sua cabeça, só havia um pensamento: saber mais sobre os Raptors.

 ****

 No ferro-velho, buracos foram abertos no solo. Dois Raptors saltaram pra fora. 

 “Vamos atrás dos projetos daquele verme. Lembre-se que devemos levá-los ao laboratório da nave para reprogramação.”

 “Tá, já entendi.”

 Enquanto os dois partiam, no subsolo dentro da nave-mãe dos Raptors, o Dr. Antunes pensava consigo.

 “Minha filha finalmente deve ter atingido a maturidade… ela pode não ser a Amber, e posso não saber o nome que lhe deram, mas eu sei que se foi criada por uma boa família… ela usará bem suas habilidades.” 

 Ele olhou para a janela da nave. 

 “Sinto saudades do mundo lá em cima. Nem sei mais quanto tempo estou trancado com os Raptors… e nem porquê eles me prenderam em vez de me dilacerarem. E acima de tudo… o que eles buscam aqui na Terra?”

 ****

 Kichiro injetou de volta o nanobô no corpo de Kira. Ela, que já estava soltando faíscas de novo pelas mãos, sentiu-as parar de formigar e as faíscas sumirem.

 “Olhem. A reação em cadeia já deve estar funcionando.”

 “Mas já? Poxa, que bichinhos rápidos!” Sora admirou-se.

 “Então… e a senha?” Kira se perguntou. De repente, algo veio a sua mente. “Unidade Gamma?”

 “Hein?” Sora perguntou.

 “É essa mesma. Parece que os nanobôs enviaram a senha também para seu cérebro, pra que você não esqueça.”

 “Beleza.” Kira levantou-se. “Afastem-se.” Ela disse. Sora se protegeu atrás da cama e Kichiro se escondeu atrás da mesa.

 “UNIDADE… GAMMA!” Kira pronunciou firmemente.

 Transformação: os olhos de Kira mudam pra vermelho e ganham um raio. Seu cabelo muda de cor para amarelo com faixas brancas. Seu vestido fica amarelo, e um símbolo gama aparece no centro. Botas vermelhas surgem em seus pés.

 Após a transformação, Kira observou seu novo look. “Uau… que show!”

 “Caraca! Agora sim tá com cara de super-heroína!” Sora elogiou.

 “Eureca! A reprogramação funcionou!” Kichiro celebrou.

 “E agora, Guerreira Robótica Gamma?” Sora perguntou. Kira olhou pra ela, com cara de “jura?”. “Que foi? Sei que você não é tanto um robô, mas… soou bem quando eu pensei.”

 “Eu gostei também. Mas pra encurtar vamos te chamar só de Gamma.” Kichiro afirmou.

 “Beleza.” Kira concordou. “Mas então, preciso treinar as minhas “habilidades”, se é que eu tenho mais alguma além dos raios.”

 “Achei que nunca fosse pedir!” Sora disse. “Para a opficina abandonada!”

 “A que fica perto da saída da cidade?” Kichiro perguntou.

 “Não vejo lugar melhor e mais vazio pra treinar.” Sora falou. “Vamos!” Ela saiu correndo.

 “Ei, me espera!” Kira saiu correndo atrás. “Ah, valeu, mano!”

 “De nada, Kira. Boa sorte.” Kichiro falou.

 ***

 De volta à nave Raptor, os dois Raptors retornaram com dois grandes containers, um deles contendo uma forma subdesenvolvida, e o outro uma coisa parecida com um ser humano.

 “Encontramos, Majestade e Comandante. Reconhecidos pela assinatura genética.” O Raptor alertou.

 “Excelente trabalho, homens. Agora deixem o resto com aquele verme. Querendo ou não, ele vai reativar esses dois projetos.” O comandante Tiberius falou.

 “Perfeito. Logo teremos duas armas de destruição em nossas mãos.” Reptilia falou, venenosamente. “Levem para o laboratório.” Ela ordenou. Os Raptors saudaram, batendo o punho no peito e carregaram os containers para outra sala. Outro Raptor forçou o cientista a sair de sua cela e entrar no laboratório.

 “Majestade, se aquele projeto que eles acharam primeiro foi mesmo capaz de destruir o modo holográfico, será que é sábio termos dois seres capazes de fazer algo pior?” Tiberius perguntou.

 “Confie em mim, querido.” Reptilia gentilmente deu uns tapinhas no braço do Raptor. “Temos que combater fogo com fogo.”

 ****

 Enquanto isso, na parte de cima da terra, Gamma chegou rapidamente numa velha oficina, deixando um rastro de fogo que sumiu rapidinho.

 Sora chegou pedalando, esbaforida. “Tá, ja entendi… você tem super velocidade.”

 “E olha que eu nem quis acelerar.” Gamma admitiu. “Deve ser isso que o doutor quis dizer quando falou aprimoramento de habilidades. Minha velocidade parece que triplicou.”

 “Tá bom, agora vamos testar um pouco esses seus raios.” Sora disse, enquanto as duas entravam. “Vejamos: o que você sentiu quando soltou-os pela primeira vez?”

 “Hm… eu tava incomodada. Aí, senti minhas mãos formigando.” 

 “Vamos tentar assim: pensa na coisa que mais te irrita.” Sora falou.

 Gamma se concentrou e pensou no bullying que sofreu naquele dia. Era uma injustiça, e isso era uma coisa que ela detestava. Com esse pensamento, ela apontou sua mão para uma pilha de entulhos e atingiu em cheio um pára-raios.

“Aí! Deu certo!” Sora celebrou. “Como tinha pensado: está tudo conectado às suas emoções.” Então, ela olhos para os pés de Gamma. ”E o que você pensou quando ativou aquela super velocidade?”

“Eu só pensei em seguir você.” Gamma riu. “Geralmente você é mais rápida que eu.”

“Hmm… chuto confiança.” Sora falou. “Vamos ver quanto tempo leva pra você chegar no topo daquela pilha ali.”

Gamma acenou com a cabeça, aceitando o desafio. Ela pôs um pé um pouco atrás e se preparou.

Sora pegou um cronômetro, e ao acioná-lo, Gamma saiu correndo. Em mais ou menos dois segundos, ela só deslizava pelo chão em alta velocidade como se patinasse, deixando rastros de fogo pelo caminho. Em pouco tempo, estava no topo da pilha.

“Uau… devia competir nas Olimpíadas.” Sora riu. Então, ela viu uma estátua próxima da pilha. “Acha que pode dar um Rider Kick naquela estátua?”

“Quis dizer um chute aqui do alto?” Gamma perguntou. “Vamos ver.”

“Lembre-se: pula, cambalhota e chuta no ar!” Sora explicou. “É o Rider Kick básico!”

Gamma deu um salto e uma cambalhota, mas algo a distraiu de chutar o objeto e a fez cair no chão.

“Nossa, se isso foi um Rider Kick, foi o Kick mais fraco da história dos Kicks.” Sora comentou.

“Eu nem tentei ainda.” Gamma reclamou, se levantando. “É que eu vi algo se mexendo lá de cima. Parecia muito aquele Raptor que a gente viu.”

“Um Raptor? Aqui?” Sora perguntou. “Mas porque… EI!” Ela se virou e viu o Raptor indo pra algum lugar.

“Hora de ver o que esse lagarto superdesenvolvido tem a me dizer.” Gamma falou, saindo atrás do bicho. Sora foi atrás, arrastando a Rider Bike.

“Socorro!” Elas então ouviram a voz de uma criança.

“Olha!” Sora apontou. “São algumas crianças do fundamental.”

“Estranho...” Ela pensou. “O que os Raptors iam querem com eles?”

Gamma tentou se aproximar deles, mas a criança as viu. “Cuidado! É uma armadilha!”

Imediatamente, Gamma foi surpreendida por cinco Raptors emergirem, liderados por um maior: o comandante Tiberius.

“Uia...” Sora se surpreendeu. “Já é a primeira batalha? Geralmente é momento de apresentação do vilão principal ou de um aliado dele.”

“OK. Quem é você? E o que quer com essas crianças inocentes?” Gamma perguntou.

“Sou o comandante Tiberius, lider da frota dos Raptors de Plutão.” Tiberius falou. “E se não quiser que essas crianças virem parte da nossa frota, você virá com a gente, projeto Gamma. Resistência será inútil com o aprimoramento de nossas armaduras!”

“Nem vem, cara-de-jacaré!” Gamma ameaçou. “Eu já sei bem quem são vocês. E provavelmente vocês devem saber onde está o meu criador! E vocês não vao machucar eles!”

“Aquele verme está agora com a Rainha Reptilia. Em nosso plano de dominação, entram os projetos de Antunes. Mas basta de palavras. Sou um Raptor de ação! Raptors, capturem-na!” Ele ordenou.

Os Raptors foram pra cima de Gamma. Se concentrando neles como seres perigosos e irritantes, Gamma começou atacando com ataques elétricos. Vendo que eles estavam tentando ataque frontal, ela bloqueou o máximo que pôde.

Então, ela arriscou um soco. Com a potência de suas descargas elétricas, o soco mandou um Raptor longe.

“Uia! Magma Punch!” Sora nomeou o golpe.

Gamma usou o poder das descargas e de seu novo golpe, repelindo facilmente os Raptors. Ela viu que em um deles, ela tinha quebrado a joia no capacete. Ele se retraiu rapidamente para o subsolo, ganindo de dor.

“Hm… isso levanta muitas dúvidas.” Sora pensou.

“Só sobrou você, jacaré.” Gamma desafiou Tiberius. “Vai encarar?”

“Menina idiota!” Tiberius urrou, removendo a parte da frente de seu capacete, revelando dentes pontiagudos. “Agora você vai ver!”

“Uou! E eu que achava ele feio antes!“ Sora engoliu em seco.

Gamma se defendeu dos dentões de Tiberius, e durante isso, viu que eram fortes como aço, já que ele foi capaz de arrancar pedaços das pilhas de entulho. Ela parou por um instante pra recuperar o fôlego.

“Então, treinadora? Algum conselho?” Gamma perguntou à Sora.

“Difícil. Ele parece beeem mais resistente que os outros Raptors.” Sora observou. “Mas pelo que eu pude observar dos primeiros golpes, quando você conseguiu desviar, é que os reflexos dele são bem menores. O Kick ajudaria, mas pra isso o inimigo tem que estar fraco, confuso ou…”

“Distraído!” Gamma concluiu. “Já sei!”

Tiberius olhou ao redor, mas não viu Gamma em lugar nenhum. Então, ele ouviu o som da descarga elétrica dela vindo de perto. Enquanto ele se preparou pra atacar, Gamma aproveitou para tentar o Kick de novo.

“Salta, cambalhota e… ataque!” Gama relembrou a orientação de Sora e atacou Tiberius, derrubando-o e removendo uma parte de sua armadura.

“AÊ!” Sora comemorou, enquanto corria para ajudar as crianças, que celebravam. “Aguentem aí, criançada.” Ela cortou a corda que as prendia com uma tesoura. “Eles são bons de briga, mas péssimos em prender reféns.”

“Droga!” Tiberius cobriu o rosto. Sua joia não tinha partido, mas seu capacete estava rachado. “Você ainda não viu o último de nós, Gamma.”

“Já vai tarde. E diz pra Rainha Lagartixa que se é briga o que ela quer, ela vai ter!” Gamma alertou. “A cidade está bem protegida agora.”

Tiberius retirou-se, enquanto as crianças reuniam-se todas ao redor dela, admiradas e alegres. Uma delas trouxe o pedaço da armadura que Gamma arrancou dele. Outra tinha filmado todo o ocorrido.

****

Tiberius grunhia de ódio na nave. “Não posso acreditar que fui vencido por uma criança!”

“Acalme-se, querido.” Reptilia disse. “Logo, logo, poderemos empatar o jogo.”

Mas sua conversa foi interrompida pelo som de uma explosão. Um Raptor emergiu da fumaça.

“Eles… fugiram!” Ele disse.

“O quê?!” Reptilia rosnou, e viu que nem os androides desativados e nem o Dr. Antunes estavam mais lá. “Maldição!”

***

Mais tarde, Kira e Sora viram que a escola voltara a funcionar. Os colegas de Kira olhavam pra ela com olhar de espanto e admiração.

“É… não vai dar pra manter identidade secreta.” Sora disse.

“É… mas e enquanto aquele pedaço da armadura do cara-de-jacaré?” Kira perguntou.

“Levei pro laboratório da escola. Lembra que seu irmão é voluntário lá?” Sora falou. “Se ele pôde reprogramar seus nanobôs, acho que ele pode nos ajudar a saber mais sobre esses Raptors.”

“Talvez...” Kira disse. Em sua mente, muitas perguntas apareciam. Mas as que mais a aborreciam eram: Como estaria seu verdadeiro pai? e Porque os Raptors vieram pra Terra?

“Que choque, hein?” Sora percebeu. “Com tanta bomba num dia só, acho que você devia descansar.”

Kira sorriu pra sua amiga. Realmente, aquele dia tinha sido cheio de revelações.

“Valeu, treinadora.“ Ela riu. “Aí, já que é sexta, porque não passa a noite em casa? A gente compra Doritos e molho cheddar e passa a noite vendo série japa.”

“Não há coisa melhor que isso!” Sora concordou.

Sora e Kira são melhores amigas. E agora que Kira sabe o que é de verdade, como Gamma, ela sabe que pode contar com sua amiga. O valor da amizade é inestimavel, e pode ser uma poderosa arma quando chegar a hora.

つづく (Continua)

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